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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Economia BR. Dilma tenta enrolar o mercado!

A Dilma manda Mantega rever a meta do superávit primário para o ano de 2014, como se Orçamento da União não existisse.  Mandou Mantega gazetear a reunião de cúpula do G20 na Austrália, para acalmar o mercado.  As agências de classificação de riscos, os tais Moody´s ou bancos de primeira linha JP Morgan ameaçam a presidente Dilma de que se não levar a sério o cumprimento da meta do superávit primário, o Brasil sofrerá rebaixamento na classificação de risco.

Vamos lá esclarecer, primeiramente, o que é classificação de riscos.  Trata-se da nota que se dá a um cliente tomador de empréstimos se tem credibilidade ou não tem credibilidade para honrar o pagamento dos empréstimos feitos.  Basicamente, é a classificação dos bons e maus pagadores.  O governo americano tem nota máxima, nesta classificação.  O governo brasileiro anda por volta de 5ª categoria, com possibilidade de ser baixado para 6ª categoria, conforme o caso da de escala própria de cada agência ou de banco.  Digamos que em grau de classificação a Grécia está na 10ª categoria.  

Então o mercado financeiro internacional e organismos financeiros internacionais como FMI, estabeleceu como parâmetro, que os governos endividados, como é o caso do Brasil, cumpra meta de superávit primário próximo de 2,5% do PIB.  Digamos que é um critério subjetivo, mas o mercado financeiro global acompanha o raciocínio do FMI.  Isto vem funcionando há décadas.  Já no governo FHC foi assim também.  O FMI botava faca no pescoço do FHC. 

Embora, o Brasil não tenha mais empréstimos junto a FMI, o próprio FMI e o mercado financeiro global, botam faca, agora, no pescoço da Dilma.  Eles tem certa razão em fazê-lo isto.  A foto do Brasil está feia.  Embora a Dilma diga que o Brasil não tem dívida externa, é pura mentira dela.  O Brasil, englobando setor público e privado deve entre US$ 212 bilhões a US$ 240 bilhões.  O primeiro dado é oficial e o segundo é minha estimativa atualizada.  Por estas e outras que o FED, Banco Central americano classificou como país de alto risco, atrás apenas da Turquia.  

O tão falada dívida externa existe, sim.  O que foi pago foi a dívida que o Brasil tinha com FMI, uma ninharia de US$ 16 bilhões, a juros baixíssimo, que o Lula fez questão de pagar.  Mas a divida externa, mesmo considerando últimos dados oficiais, o Brasil como país, deve US$ 212 bilhões ao mercado financeiro internacional, claro em dólar, englobando setor público e privado.   Por esta razão é que, apesar de reserva cambial brasileira, estar, numa "situação confortável", US$ 375 bilhões, o mercado financeiro internacional fica de olho também na dívida externa brasileira. Eles, tanto eu, não dormimos de touca!

O que deixa as agências de classificações e bancos americanos, não são dívidas externas, que teoricamente está garantido com reserva cambial.  O que preocupa as agências e bancos é o volume de dívida interna do Tesouro.  O Banco Central, diz que a dívida pública líquida do Tesouro era de R$ 2,12 trilhões.  Acontece que o Tesouro tem dívida interna bruta de cerca de R$ 3,46 trilhões, considerando o PIS e a reserva cambial que o Tesouro diminui do saldo da dívida interna bruta para se chegar na dívida interna líquida.  
O Tesouro, na média, teria que pagar cerca de 11% ao ano de juros sobre o endividamento bruto, isto é cerca de R$ 380 bilhões brutos. Em tese, poderia deduzir desta conta os juros que recebem sobre a reserva cambial, 0,25% ao ano em dólar e os juros subsidiados que recebem do programa PIS, média 3,5% ao ano.  Portanto a União paga de juros entre R$ 234 bilhões a R$ 380 bilhões, conforme o critério a ser adotado.  Dívida líquida ou dívida bruta.

Por que o superávit primário é importante?  O superávit primário é o que devedor separa para pagar os juros da dívida líquida, conforme Banco Central, ou juros sobre a dívida bruta conforme entende o mercado financeiro global, que denomino de critério Sakamori.  Se adotarmos conceito clássico do FMI e outros organismos internacionais, considerando 2,5% do PIB, o governo deveria gerar superávit primário de no mínimo R$ 110 bilhões.  A Dilma quer gastar, no máximo 2,% do PIB ou seja cerca de R$ 90 bilhões em 2014.  

O motivo da preocupação da Dilma e da equipe econômica é que o mercado financeiro global pede superávit primário de R$ 110 bilhões, enquanto que Dilma quer separar no máximo R$ 90 bilhões, para poder continuar com a gastança, justamente, no ano de eleições presidenciais.  Lembrando, que a União deve arrecadar, na prática, cerca de R$ 1.200 bilhões.  Compare os números de que o governo quer para o superávit primário R$ 90 bilhões para pagar parte dos juros.  

Você devem estar pensando... A conta não fecha.  Realmente, a conta não fecha.  O governo deveria pagar, mesmo na conta do governo, contando com o endividamento líquido, R$ 234 bilhões.  A discussão está em quanto vai pagar deste montante de juros devidos.  Nem estamos falando em pagar o principal da dívida.  Se fosse para pagar os juros na integralidade, conforme número do governo, o Tesouro teria que gerar superávit primário de R$ 234 bilhões e não os pretendidos R$ 90 bilhões!  Eu rio ou choro?  

E onde vai a diferença de juros que o Tesouro não consegue pagar?  O Tesouro deve R$ 234 bilhões, na melhor hipótese, e só seprara R$ 90 bilhões para pagamento de juros?  Ora, ora.  Na prática, em 2014, o endividamento do Tesouro vai aumentar em no mínimo R$ 144 bilhões que a diferença entre o que deveria pagar e o que efetivamente vai pagar.  Isto no cálculo do governo.  Esta operação se chama "rolagem" da dívida.  É mais ou menos como "enrola" o agiota ou enrola trouxa.  

Bem, nem vou apresentar os números segundo o critério Sakamori, os números ficam bem mais feio.  Lembrando que o mercado financeiro global adota o mesmo critério que eu adoto.  Dilma, uma leiga no mercado financeiro global, que não tem visão da bolha financeira internacional, que não enxerga um milímetro sobre a economia, tenta enrolar o mercado com os números dela.  Isto não cola!  As agências de classificação e bancos, estão mais atentos agora do que antes da crise financeira global de 2008.  O mercado hoje, está avesso aos riscos, afinal todos eles já passaram por situações de insolvência na crise de 2008.  

E o Brasil da presidente Dilma, pensa que enrola o mercado financeiro global com os números fajutos de metas do superávit primário no ano, que certamente será revisado, possivelmente após as eleições.  Vai deixar os sustos para depois.  Por enquanto, vai costurando a meta de superávit primário como quer o mercado.  Se o mercado financeiro internacional vai aceitar ou não, são outros quinhentos.  Não saberia afirmar, aqui. 

Dilma, o mercado financeiro global não é trouxa como você acha que é!  Tenha dó!  Pode enganar o povo, mas não engana os espertos especuladores internacionais, que financiam a nossa dívida interna líquida ou bruta.  Vamos acompanhar o desenrolar... Ou melhor, acompanhar a enrolação da Dilma.    

Ossami Sakamori
@SakaSakamori



4 comentários:

  1. Parabéns pela matéria publicada. De fato, a economia brasileira é bem mais complexa do que muitos pensam. E o ex-presidente Lula andava alardeando que o Brasil havia saído, no Governo dele, da condição de devedor para a de credor, passando a falsa ideia de que nada mais devíamos ao mercado internacional. E como estamos vendo, a coisa não é bem assim. Agora é aguardar o desenrolar dos fatos para ver como a equipe econômica do Governo conduzirá a nossa economia em 2014, ano de eleição, quando sempre os Governos costumam gastar mais do que deveriam.

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  2. Brilhante!
    Em meu ponto de vista, embasado em suas lógicas e matemáticas deduções, digo que: Dilma está brincando de "banco imobiliário", com experts no mercado financeiro internacional. O rebaixamento é premissa recíproca. Enquanto a "bola de neve" rola, o Ministro do STF, sucateia a Constituição. O "time" da Dilma parece estar sincronizado nos desperdícios que beiram a "impagabilidade". O fato não está sendo promovido por ignorâncias generalizadas, mas, má-fé. Os resultados? Nós colheremos! Difícil sonhar com um Brasil mais confortável diante dos pesadelos à que estão nos induzindo. A "luz no fim do túnel", somente após abrirmos muitos caminhos através das rochas.

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  3. Parabéns pelo artigo! Pois é, e nós que sempre pagamos o "pato" e a população em geral comprou a ideia de Brasil do futuro, de super crescimento, etc, enquanto estamos nos afundando cada vez mais... Nós já vimos este filme e quando a bomba estourar e não tiver mais como maquiar, será tarde demais e estaremos de novo mergulhados numa hiperinflação...

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    1. E o Plano Real, que nos livrou do inferno da hiperinflação, foi detonado pelos incompetentes petistas. Atraso que levaremos anos para desfazer, infelizmente.

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