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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Economia contamina reeleição de Dilma, por colaborador

Colaboração.
Artur Jorge Costa Pinto
MBA em Finanças pela UNIFACS

A imprensa, principalmente a internacional, está cada dia mais crítica com relação ao desempenho da economia brasileira. A grande questão é que não existe mais espaço para as audaciosas manobras econômicas promovidas por Dilma Rousseff, ao utilizar a artimanha “criativa” sem uma justificativa crível na condução equivocada da sua política macroeconômica.

Está previsto para o final deste mês que a economista e presidente do Brasil divulgue para os eleitores os rumos da sua campanha, que já demonstra vitória antecipada da sua reeleição, alardeada pelos militantes do seu partido e aliados oportunistas. Diante disso, mais uma vez, estará elevando os gastos públicos que nortearam o seu primeiro Governo e, consequentemente, ampliando as deteriorações das contas públicas.

Admiramos perplexos, no início deste ano, sua magnífica estreia no Fórum Econômico de Davos, quando tentou desesperadamente amenizar o pânico dos investidores estrangeiros relacionado aos fundamentos econômicos do Brasil e os temores de que o Governo poderá continuar estrategicamente interferindo no mercado nacional. 

Infelizmente, a presidente não conseguiu animar os presentes, pelo contrário, parecia mais uma vendedora de carro velho que somente ressaltava as qualidades do veículo e, ao mesmo tempo, procurava esconder os defeitos aparentes na chaparia.

Lamentavelmente, não apresentou nada que sinalizasse ao mundo, de forma consistente, a contínua melhoria da infraestrutura e a concepção de um novo modelo econômico. Dessa forma, continuaremos cambaleando e convivendo com uma economia debilitada, suscetível a crises que abatem países desenvolvidos e/ou emergentes.

Coincidentemente, enquanto Dilma discursava em Davos, acontecia a primeira expressiva queda, em 2014, do principal índice da bolsa de valores brasileira – Ibovespa – que apresentou expressivas perdas no mercado de ações, impactando substancialmente o valor das empresas que compõem a sua carteira teórica. 

Diante da ocorrência, fortaleceu-se a volatilidade habitual que, nesses últimos pregões, tem apresentado um comportamento bipolar, alternando dias de queda brusca e alta vigorosa.

Simultaneamente a este episódio, a nossa moeda também apresentava forte desvalorização entre outras nações emergentes, o que nos levou a sentir, naquele momento, que o governo irá puxar as rédeas da descontrolada economia brasileira e que estávamos vivendo, naquele instante, uma “tempestade perfeita” de notória falta de confiabilidade.

Segundo o Financial Times, o Brasil sempre será lembrado como o grande perdedor deste famoso fórum mundial. A presença de Dilma foi a grande surpresa do conclave. Já ocupando a presidência do Brasil, ignorou os três últimos encontros, para os quais enviou, como seu representante, a dupla formada pelos submissos escudeiros que lideram a sua equipe econômica. 

O Brasil ficou carimbado como o país com as menores menções na lista “quente” do evento, ressaltando-se a ausência de investimentos estruturais e afirmando-se que a aceleração do seu crescimento, até determinado ponto, se fez basicamente através do estímulo ao consumo por meio da incitação ao crédito.

O atual governo é enfático em transferir a culpa dos seus insucessos para o macro ambiente externo, sempre alegando os efeitos da crise mundial que desfavorece a nossa economia, responsabilizando, principalmente, o menor crescimento da economia chinesa e o redirecionamento da política macroeconômica dos EUA em função da revitalização da sua economia. 

Não resta dúvida de que esses dois pontos acima são extremamente importantes, mas sob o ângulo de uma visão sistêmica, pois envolvem as duas maiores economias do planeta que estão se deslocando lentamente nos sentidos da mão e da contramão que regulam o crescimento mundial, favorecendo o surgimento de um novo ciclo para a economia global, que, provavelmente, trará consigo alguns riscos que precisam ser melhor dimensionados. 

Quando se trata do ambiente interno, este é menos barulhento, pois foi o único responsável por executar conscientemente os desacertos econômicos, com o objetivo de introduzir de forma ardilosa seu projeto político iminentemente neofascista, procurando, dessa forma, se manter no poder por muitos anos.

O país sofre de uma evidente ilusão a respeito das causas do crescimento “espetaculoso” após o PT se acomodar no berço esplêndido do Planalto.

Para os governistas, isso seria o resultado da expansividade do consumo, fomentada pela adoção de políticas de distribuição de renda e apoiada nos aumentos reais do salário mínimo e na execução das Bolsas - Família e outras mais, todas elas de cunho eleitoreiro. 

Essas políticas são plenamente justificáveis, pois representam dois aspectos fundamentais que não estão correlacionados à administração petista; um surge de fora, na época da ascensão da China, o que proporcionou, durante um bom período, um saudável crescimento das exportações brasileiras de commodities, tornando-se aquele país nosso principal parceiro econômico. 

O outro foi construído internamente através de reformas estruturais realizadas pelos governos anteriores, a exemplo da abertura da economia, do exitoso Plano Real, das privatizações retomadas com muita paixão por Dilma e acompanhadas de inúmeras justificativas para não vinculá-las ao governo tucano de FHC; da elaboração e promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal e da adoção de mecanismos que visam fortalecer o tripé da gestão macroeconômica que abrange, simultaneamente, inflação, gastos públicos e câmbio. Uma notável herança benigna.

Como sou um curioso da administração ambiental, arrisco uma analogia contextualizada entre a ecologia e a economia brasileira. “Os ventos que sopravam dentro do país já se dissiparam. A brisa externa que atingia o Brasil diminuiu sua intensidade. Portanto, o quanto antes, é indispensável reconstruir um novo meio ambiente para o país”.

Já sabemos, mas é prudente sempre frisar, que a nossa presidente vem desapontando desde o início da sua famigerada administração no que diz respeito ao desempenho da nossa economia; sua gestão apresenta um crescimento médio do PIB (Produto Interno Bruto) de apenas 1,8% a.a, uma inflação que beira os 6,0%, déficit em conta corrente de 3,7% em relação ao PIB, excessivo intervencionismo estatal, inconsequentes mudanças de regras, hostilidade ao capital privado, um amontoado de linhas de crédito subsidiadas oferecidas pelo BNDES e que alimentaram, em boa parte, a expansão da dívida pública, agravando a transparência e a credibilidade da política fiscal; deterioração das contas externas, desenfreados gastos públicos e a inconsistente política econômica minam frontalmente a confiança governamental, desanimando os investimentos.

Dilma promoveu uma multiplicidade de políticas que contribuíram para dificultar mais ainda o cenário; dentre as mais importantes, sinaliza-se coagir o Banco Central a golpear a taxa básica de juros e a criação de diversos subsídios e estímulos para disfarçar os danos fiscais através de mirabolantes mágicas contábeis.

O último significativo acontecimento veio do firmamento. Nos últimos anos, o problema era a abundância de chuvas; agora é a forte estiagem predominante em muitas regiões do país, conflitando com a grande demanda por energia durante o nosso verão. Se persistirem os riscos de apagão, a adoção de um racionamento será inevitável.


Penso que ainda não existem dados consolidados sobre o estrago que a falta de chuvas em harmonia com elevadas temperaturas têm provocado no campo. Os produtores de grãos, verduras, café, laranja e os pecuaristas vivem preocupados com relação às prováveis perdas que já reproduzem alta nos seus preços, com a possibilidade dos alimentos turbinarem a inflação no segundo trimestre deste ano. 

Conforme as notícias divulgadas pela imprensa, o governo brasileiro tenta minimizar a crise de energia já plenamente instalada, o que prejudica parcialmente o crescimento econômico e pode trazer literalmente grandes prejuízos à sua candidatura num ano iminentemente eleitoral, à véspera da propalada Copa do Mundo que terá seu início em junho, período no qual também costuma haver escassez de chuvas em algumas plagas, potencializando riscos.

Problemas no setor elétrico são atualmente as grandes alucinações que infernizam as cabeças coroadas do Planalto e também o comitê da pré-campanha de reeleição da atual mandatária. Ela foi, durante a administração de Lula, sua ministra exemplar, ocupando a pasta de Minas e Energia, onde se destacou pelo seu perfil técnico e, quaisquer problemas nesta área estão intimamente vinculados à sua imagem.

Nos primeiros trinta e cinco dias de 2014 aconteceram treze cortes de energia em doze estados que envolvem quatro regiões do país, deixando mais de cinco milhões de lares e estabelecimentos comerciais às escuras, segundo a cúpula do gerenciamento do sistema elétrico nacional. Em igual período, no ano passado, houve apenas três apagões, o que demonstra nitidamente a grande crise que iremos continuar vivenciando.

Infelizmente, estamos colhendo, neste especial momento, alguns frutos da má gestão de uma caótica administração federal, também comprovada no setor de energia. Sem dúvida, o atual governo menosprezou os investimentos necessários a este indispensável segmento. Poderia, simplesmente, ter retirado os impostos federais da conta de luz, buscando atingir o seu objetivo da redução. 

Penso que nós assistimos a um momento extremamente delicado no que diz respeito à questão do sistema energético. É necessário entender que a Eletrobras, uma estatal que em 2010 valia R$ 32 bilhões, hoje vale em torno de R$ 8 bilhões. Seus técnicos avaliam que se não houver aumento na oferta de energia, o governo vai ter que dispor de R$ 15 bilhões do Orçamento, destinando-os às distribuidoras.

A meu ver, existem apagões muito piores - o da incompetência que já dura mais de dez anos, deixando o País nas trevas da corrupção desvairada, na escuridão da imoralidade no trato com a causa pública, provocando a cegueira que impede os governantes de enxergar os avanços nas reformas estruturais que são imprescindíveis para o crescimento sustentável do Brasil. 

Esses fatos reunidos descredenciam moral e administrativamente a postulante a renovar o seu mandato, no comando dos destinos da nossa sofrida e combalida nação.

Arthur Jorge Costa Pinto 
Administrador, com MBA em Finanças pela UNIFACS (Universidade Salvador).

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