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terça-feira, 29 de abril de 2014

Economia BR. Crise nas montadoras?

A indústria automobilística encerrou abril com estoques suficientes para 43 dias de vendas.  É o maior nível desde novembro de 2008, no início da crise global, quando o encalhe nas fábricas e nas revendas atingiu o equivalente a 56 dias de vendas. 


Pois este foi o teor da notícia do tradicional jornal Estadão, não de ontem, mas do dia 7 de maio de 2012.  Assim foi também a notícia no auge da crise financeira mundial de 2008.  De tempo em tempo, a indústria automobilística nacional tem surto de crise, uma espécie de gripe que volta a cada inverno.

As montadoras fazem pressão para forçar o governo para solução do problema de mercado. Enchem os páteos da s fábricas com veículos para pronta entrega.   Chamam a imprensa para fotografar os páteos, pressionam o governo para dar solução ao problema dos estoques, sob ameaça de demissões de trabalhadores.

O governo Lula para sair da crise financeira mundial de 2008, lançou pacote de medidas como isenção de impostos para veículos automotores, incentivou os bancos oficiais a concederem financiamentos a longo prazo, sem entrada.  O mercado de veículos novos explodiu.  A frota de veículos de passeios que circulam em grandes cidades vem desafiando os prefeitos com os problemas de trânsito de veículos.  


Lá vai o repeteco da situação.  Estamos em 2014, por sinal, no ano de eleições presidenciais.  A presidente Dilma, quer e quer ganhar eleições custe o que custar.  Nas palavras da presidente, nem que tenha que pedir ajuda do diabo.  A indústria automobilística será atendida nos seus pleitos, pelo menos parcialmente.  É o que anuncia o ministro Mantega.

O pacote de medidas apresentada pela Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê incentivo fiscal ao setor bancário para financiamento de veículos.  Pelo estudo apresentado, o Banco Central vai permitir que os bancos lancem como provisionamento 75% do valor do financiamento, como títulos incobráveis.  Em tese, os 75% de financiamento vão figurar como perdas, antecipadamente.  Resumindo, os bancos só pagariam impostos se houver recebimentos acima de 25% do financiamento.  Um incentivo fiscal e tanto.  

Na prática o que poderá ocorrer?  Com a solução apontada, os bancos ficariam estimulados a financiar, novamente, 100% do valor do veículo, uma vez que a inadimplência do setor será "bancada" pelo governo, via "renúncia fiscal" disfarçada.  Certamente, para os bancos é um grande negócio!  Poderão os veículos novos a serem vendidos com financiamento integral a prazo máximo de 60 meses.  

Isto parece, pelo menos momentaneamente resolver o problema de desova dos páteos de estoque e colocar novamente o setor automobilístico como puxador da economia.  Aparentemente, as medidas poderão dar sobrevida à "sensação de bem estar" ou "sensação de poder de compra" da população, pelo menos até o término das eleições.  Após dia 26 de outubro são outros quinhentos.


A Dilma se meteu no meio do cipoal de problemas, sem precedentes, só visto no Plano Cruzado do Sarney.  A economia está engessada artificialmente.  O câmbio está defasado.  Os preços administrados estão congelados.  E a expansão da base monetária está nos níveis nunca experimentados nos últimos 12 anos, com sucessivas emissões de títulos de dívidas.  

O problema de tudo isto é que o mercado já percebeu, com 2 anos de defasagem, mas percebeu.  Os agentes econômicos perceberam que a inflação está represada e que uma hora virá o ajuste ou seja haverá uma super-inflação, isto é inflação anual acima de dois dígitos.  O mercado, onde couber, fará reajuste "preventivo", o que causará mais inflação.  Isto é como espiral, inflação passada que vai alimentando a inflação futura.

Na minha visão, o dique que retém a inflação romperá antes das eleições.  Disse Delfim Netto, na condição de ministro de Fazenda, que a inflação era psicológica.  De certa forma, ele estava certo ao afirmar isto.  Claro, não levando a frase no sentido literal, a inflação é causado, em grande parte por fator psicológico ou seja, preventivo.  O mercado está ouriçado!  Os agentes econômicos não confiam mais no governo do PT, portanto, não confiam mais nos postulados econômicos ditados pelo PT, o que aguça ainda mais o espírito "preventivo".


Na minha visão, a situação do País está cada vez mais grave.  Se o governo continuar com a expansão da base monetária, sem parcimônia, boa coisa não vai dar. Inflação, da saída de engessamento ou congelamento, será desastrosa.  Experiência já tivemos de sobra, no Plano Cruzado do Sarney.  Inflação do ano de 1989, último ano do governo Sarney, bateu recorde histórico de 1.764% ao ano.


Para aqueles que não viveram à época do Plano Cruzado, justamente no governo Sarney, o povo viveu "sensação de bem estar" e "sensação do poder de compra".  Comprar veículos eram coisa mais fácil do mundo e viajar para exterior era programa favorito dos brasileiros.  Deu no que deu, veio Fernando Collor e confiscou os depósitos bancários do povo brasileiro!

Ossami Sakamori
@SakaSakamori




3 comentários:

  1. Quando o Sr fala sobre o confisco na caderneta de poupança na era Collor, me dá tanta raiva pois eu era solteiro e tinha uma poupança ouro que, antes do Collor rendia da noite para o dia 60% até mais. Collor entrou e perdi tudo. entrei na justiça e recuperei pouca coisa depois de muito tempo. Então, planos mirabolantes ou crédito fácil é fria. A conta vem logo e muito alta.

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  2. Parabéns. Na economia não há mágica. Para que a economia funcione bem, faz-se preciso medidas pontuais e coerente, como redução de gastos públicos e políticas monetárias voltadas para o fortalecimento do mercado, visando, antes de tudo, dar credibilidade e estímulos as atividade econômicas como um todo. Não acredito nessa política de direcionar os estímulos para um determino segmento do mercado como tem feito regularmente a presidente. Não acredito em milagre que partam do Governo. Se alguém desejar acessar o nosso blog acesse: www.ideiasefatostucujus.blog.spot. com.br

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    1. www.ideiasefatostucujus.blog.spot.com.br
      Esse acesso não é possível.
      Não estaria sobrando ou faltando letras?

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